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Culto de Oração e Ensino

CULTO DE ORAÇÃO E ENSINO Nº 02 - ANO 5

postado em 28/04/2013 06:11 por Marcos Antonio Benetti   [ 28/04/2013 06:13 atualizado‎(s)‎ ]

Curitiba, 24 de Abril de 2013

Salmo 104

Introdução ao Salmo 104: Um hino à natureza, os versos se apresentam de maneira que é impossível não notar a temática de Genesis 1 – “O Relato da Criação”. A beleza da narrativa faz o leitor tomar de pronto contato com as mais belas paisagens, experiência ainda mais forte e extasiante por contar com a presença e a revelação de Deus a cada cenário aqui descrito.

 

V - 1. Com uma iniciativa de louvar e glorificar ao Senhor o salmista introduz o tema da contemplação de Deus na Natureza. Isto é obra do Espírito Santo. Ele bem poderia conceber o mundo que o rodeia com os olhos da maldade, frustração ou qualquer outra cosmovisão ímpia, mas ele vê o Senhor reinando no cosmo todo.

  

V – 2-4. Os Céus: O esplendor e o calor da luz solar são as vestes do Criador; nas nuvens sua carruagem, no oceano celeste esta sua sólida morada, o vento e a tempestade lhe servem. É uma visão Teocêntrica de mundo, uma vez que habitualmente tendemos pensar antropocentricamente, onde tudo o que nele há é para abrigar e servir ao ser humano. A verdade teológica que se encerra aqui demonstra que todo o cosmo existe para a glória de Deus. Isto nos leva a pensar na mordomia cristã e na consciência ecológica. A atual destruição da natureza impulsionada pelo capitalismo nos força a parafrasear este trecho do Salmo nos exortando da seguinte maneira:

 “Envolto nas nuvens de carbono, tão negras que nos ofuscam a luz do Sol. Construindo tua morada nos oceanos carregados de dejetos e óleo. Caminhando sobre os efeitos do aquecimento global com seus ventos radioativos.”

V – 5-9. A Terra: Na perspectiva dos povos antigos a porção continental era como um disco rodeado pelas águas. Atualmente nosso conhecimento do sistema solar e sua dinâmica é totalmente outra, a astronomia é uma ciência que coloca a terra como parte integrante de um sistema em que a terra é ínfima, uma parte indescritivelmente pequena. Imaginemos se o salmista tivesse conhecimento desta realidade. Outrora já se pensava em um Deus que velava por um disco estático de terra bem afixado e rodeado por águas. Se o salmista soubesse que Deus vela por um planeta integrante de um complexo sistema todo em movimento, sendo livrado da mais completa destruição a cada segundo, com cada grau de inclinação sendo conduzido por Deus. Tivesse o escritor do salmo a compreensão moderna certamente seu louvor seria ainda maior. É impressionante como os céticos e ateus tentam se esconder na ciência para justificar sua incredulidade!!!  

 

V – 10-18. A Dinâmica da Natureza: A natureza em sua dinâmica é descrita como uma bênção da provisão do Senhor. Este texto nos instiga a conduzir nossas vidas em consonância com as demais criaturas e ambientes em que estamos. Interessante como a água, que inicialmente é colocada como lugar onde Deus estabelece seu trono, aqui se torna a origem da vida. A ciência também nos aponta a água como a origem da vida, nosso organismo é basicamente composto por água, sem ela, maior bem universal, não subsistiríamos.      

 

V – 19-23. Os Astros: Nesta visão tão abrangente da provisão de Deus, o sol e a lua cumprem seu papel, e não somente o homem se beneficia de toda a criação cósmica, até mesmo as feras, representando aqui toda a fauna estão em harmonia com a obra do Senhor. O homem deve trabalhar para seu sustento, para poder gozar de todo o potencial que está latente em si e que aflora com a ajuda do Senhor. É uma bênção poder trabalhar, está em harmonia com o propósito do criador. Negar-se ao afazer diário é andar em desacordo com a própria natureza. Jesus disse: “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também” Jo. 5.17 

 

V – 24-26. O Mar: Diante de todo o mistério envolto nas profundezas dos mares se revela um amor maior do que o medo. O temor pelo desconhecido é suprido pela confiança no Senhor, criador dos mares e de suas criaturas fantásticas.

 

V – 27-30. O Mantenedor da Vida: Sim! Deus mantém toda a vida. Suas mãos fazem, seu sopro sustenta. Ele faz qualquer coisa voltar ao pó. Ele controla o clima e todos os eventos. O salmista conhecia sua dependência ao Senhor, ele então roga que sua meditação, fosse agradável ao Criador. Tenhamos também estes sentimentos de gratidão, dependência e acima de tudo louvor. “As palavras dos meus lábios e o meditar do meu coração sejam agradáveis na tua presença, Senhor, rocha minha e redentor meu!” Sl. 19.14      

Reverendo Maurício Frizzas Pinto

CULTO DE ORAÇÃO E ENSINO Nº 1 - ANO 5

postado em 13/02/2013 11:24 por Marcos Antonio Benetti

Curitiba 12 fevereiro de 2013

SALMO 11 
O Senhor é forte refúgio 
Ao mestre de canto. Salmo de Davi 

1 No Senhor me refugio. Como dizeis, pois, à minha alma: Foge, como pássaro, para o teu monte?
2 Porque eis aí os ímpios, armam o arco, dispõem a sua flecha na corda, para, às ocultas, dispararem contra os retos de coração.
3 Ora, destruídos os fundamentos, que poderá fazer o justo?
4 O Senhor está no seu santo templo; nos céus tem o Senhor e seu trono; os seus olhos estão atentos, as suas pálpebras sondam os filhos dos homens.
5 O Senhor põe à prova ao justo e ao ímpio; mas, ao que ama a violência, a sua alma o abomina.
6 Fará chover sobre os perversos brasas de fogo e enxofre, e vento abrasador será a parte do seu cálice.
7 Porque o Senhor é justo, ele ama a justiça; os retos lhe contemplarão a face.

V 1. O conselho: “A fuga” (fujamos) como pássaro... Que pode fazer o justo? Pode ter sido um conselho de pessoas próximas a Davi ou pode ter sido a própria consciência de Davi que o direcionou neste sentido. O conselho foi atendido e a história de Davi relata que ele e alguns de seus amigos se refugiaram para colinas e lugares remotos. 

No Senhor Ponho a minha confiança pode indicar que Davi não encontrou nos seus compatriotas vestígios de solidariedade e humanidade nos terríveis momentos de angustia. “Quando todos os homens estavam contendendo, por assim dizer, entre si, para compeli-lo ao total desespero, teria ele, segundo as fraquezas da carne, se afligido com profunda e quase irresistível angustia mental; fortificado, porém, pela fé, confiada e prontamente atendeu das promessas divinas, e foi assim preservado de ceder às tentações a que estivera exposto. Ele está a lembrar esses conflitos espirituais com os quais Deus o exercitava em meio aos perigos extremos” Calvino. 

Fugi como pássaro para a vossa montanha? Esta fuga para um lugar seguro não dizia respeito somente a Davi, mas também aos seus assistentes, soldados, e companheiros que corriam juntamente com ele os mesmos riscos e perigos. Como igreja do Senhor, somos muitas vezes tentados e perseguidos pelo mal, pela injustiça. Não devemos encarar estas coisas como se estivéssemos sozinhos, mas na companhia de nossos irmãos. Tanto olhando com compaixão para os aflitos, quanto recorrendo ao amor comunitário e a solidariedade na tribulação. Fujamos juntos para a nossa montanha que é o Rochedo da nossa Salvação, Jesus Cristo. 

V 2. Baseia-se numa tentativa de real de para matar Davi com um dardo de arremesso. A frase: Armam o arco é muitas vezes utilizada para retratar um ataque hostil, por meio de ação e palavra. A expressão “Ocultas” reforça o argumento.

V 3. As pessoas justas sofrem onde quer que os fundamentos da sociedade se encontrem minados e destruídos pela ação de reis e conselheiros que ignoram a honra e a justiça. O que fazem os homens bons e justos a fim de evitar o colapso? Será que Davi pretende fazer o que outros grandes homens não realizaram? 

“Seu objetivo não é só colocar diante de nossos olhos os perigos de que se via cercado, mas também nos mostrar que ele corria sério risco de morte. Eu, contudo, prefiro esta interpretação, como sendo a mais simples – que não havia lugar, por mais oculto que fosse, em que os dardos de seus inimigos não penetrassem, e que, portanto, qualquer caverna de que se valesse para esconder-se, a morte o seguia como sua inseparável assistente” (Calvino). Destruídos os fundamentos: Quando as bases morais da justiça e da ordem pública são quebradas, o justo se transforma em fugitivo. 

V 4-5. O salmista pode estar se referindo ao Templo de Deus, no céu (Sl 18.6; 33.14; Is 66.1); ou então está afirmando que Deus, que governa lá do céu, está presente com o seu povo no Templo de Jerusalém (Hc 2.20). 

“Ele não diz simplesmente que Deus habita no céu; mas que ele reina lá, por assim dizer, num palácio real e que tem lá seu tribunal. Nem lhe renderemos a honra que lhe é devida, a menos que estejamos plenamente persuadidos de que seu tribunal é um sacro santuário para todos quantos se acham em aflição e são oprimidos injustamente.” Calvino 

Seus olhos estão atentos, esta verdade é ainda mais claramente explicada no quinto versículo. Deus distingue entre o justo e o injusto, e isso de tal forma deixa em evidência que ele não é um expectador indolente; pois ele é descrito como a aprovar o Justo e a odiar o perverso. Deus examina a motivação de cada pessoa de maneira a distinguir o justo do perverso. Contra os perigos dos acontecimentos nefastos, da frustração, da inocência e da justiça terrena encontra-se a suprema e vigilante santidade de Deus. Aquele que não é como os homens porque a sua habitação está no céu, e cuja autoridade esta entronizada sobre todos e que sonda todos os homens indistintamente. 

V 6. “Enxofre e brasas”. Segundo uma versão antiga; o texto hebraico traz: “armadilhas, fogo e enxofre”, que pode querer dizer “desgraças: fogo e enxofre”. Enxofre e ventos que queimam como fogo são meios pelos quais Deus castiga os maus (Gn 19.24-25; Ez 38.21-22; Os 13.15; Ap 14.10). 

“Davi apropriadamente compara com a chuva os castigos que Deus aplica. Visto que a chuva não é constante, Deus a envia quando lhe apraz; e quando o tempo fica mais calmo e sereno de súbito surge uma tempestade de raios e trovões ou um violento aguaceiro. De modo semelhante é a vingança do senhor sobre a impiedade. Virá repentinamente. Existe aqui uma alusão à Sodoma e Gomorra. 

A Reação de Deus Frente à humanidade: Sobre os piedosos ele estende sua presença protetora. Sobre os ímpios espalha o terror e calamidades naturais. (A teologia do Saltério é a da Retribuição). 

V 7. Este versículo está num contexto de exortação à prudência. Em sua perspectiva o meio de encontrar “paz na presença de Deus” é fugindo do mal. 

Reverendo Maurício Frizzas Pinto

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